et alii

Convicção

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Ela tem certeza de que foi o intelectual célebre, entre outras coisas, por sua ética, que, por ciúme de outra mulher, denunciou seu marido aos comunistas, que causaram o exílio do intelectual e algumas de suas críticas.
Ela tem certeza de que ele não assumirá, único desejo dela após tantos anos de prisão.
Ele diz ser uma calúnia, de verificação impossível pela morte de um dos supostos caluniadores. Outros intelectuais o defendem.
O marido, o que diz?

Escrito por Isabela Montello

5 Junho, 2009 em 10:15 pm

O nome do livro

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Clara compraria Cordilheira pelo nome, mas ainda não teve seu primeiro emprego.
Pegaria emprestado, mas não sabe quem tenha.
Roubaria (os espinhos estão ), mas esses apitos não ferem como arame farpado.
Abraçará como amante seu nome. E imaginará. Outro.

The Triumph of the Rose

The Triumph of the Rose

Escrito por Isabela Montello

28 Março, 2009 em 1:39 pm

Dos adultos

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Para Leonardo
— Vai aonde? — não era controle satisfeito por nome conhecido.
— Vi tanto, que não sei mais o que é bom — deixava-o triste.
— É uma descoberta! — diante de Solomon Nikritin, feliz.
Achava que a maioria preferia o precoce, o longo rápido e o adulto imaturo.
Então quis ser professor do C. A.
Formou-se e conseguiu um emprego onde diariamente vivia parecido com o leitor desse texto (porque seria Dia das crianças).

Caixas de correio e burcas

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“Deve ser porque caixas de correio têm algo de burca que eu, judeu, recebi em minha correspondência a propaganda de um fast-food muçulmano. Só pode”, pensou Abe. Para provar, desenhou.

Escrito por Isabela Montello

19 Março, 2009 em 3:53 pm

Equilíbrio nipo-americano

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Daniel estava tomando a sopa densa e quente de legumes que tinha sido servida pela aeromoça quando rindo discretamente se lembrou de um artigo que guardava em sua carteira. Rindo ainda, devia ser por isso que ela, com seu dente escurecido, era tão espontânea e viva. Devia ser esse o equilíbrio nipo-americano: o dente combinava com os riscos negros de olhos de gata feitos com lápis, delineador ou ambos, e com seu coque louro. Pegou o artigo e, rindo sempre, releu: era isso mesmo.

Trecho de "Alpha", de Jens Harder

Trecho de "Alpha", de Jens Harder

Folha corrida

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Mariah é de Austin e está nos primeiros anos de teologia católica em Angers.
Mariana é de Buenos Aires e está nos últimos anos de teologia católica em Paris.
Conheceram-se quando, ambas de férias, Mariana entregava numa mediateca francesa as Œuvres 1 de Benjamin, que Mariah pegou em seguida. Mariah não perguntou sobre o livro nem sobre o autor. Mas falam de um jeito parecido e trocaram MSN. Nenhuma das duas leu o livro, porém gostam de sua presença próxima. Talvez leiam.
Mariah está há mais tempo na França e, quando perguntada por Mariana como foi a visita médica que ela faria (apesar de não ser médica) para sua primeira carte de séjour, Mariah se lembrava apenas do tédio. De repente:
— Qual a diferença entre meu corpo e uma folha corrida? — Em inglês com sotaque francês quando disse a expressão.
Mariana achou ótimo.

Antes do horário da visita se espera do lado de fora.
Depois, em fila, tira-se espontaneamente ou não a convocação do envelope, que é mostrada com o passaporte. E se espera numa sala separada em cadeiras ou bancos que podem formar um “u”, alguns com comprovante de vacinação e/ou com imposto pago.
Alguns médicos se atrasam.
Outros se atrasam como os médicos.
Os imigrantes são chamados pela ordem de chegada e respondem a um questionário.
Na primeira sala, todos vestidos, um é medido e repreendido se encostar no medidor, enquanto um segundo é pesado e um terceiro deve repetir as letras que vê. Os médicos anotam tudo, alguns não conseguem repetir as letras. Não há pausas.
— Vestida e sem jejum serei mais gorda.
Ri só. Nem sorriem.
Uns 2 kg mais gorda. “Não teria comido tanto Nutella no café.”
Espera-se em cadeiras ou bancos que podem estar lado a lado.
Na segunda sala, que podem ser três, deve-se tirar toda a roupa da parte superior do corpo. Mariana está na sala do meio, mas não sabe de onde vêm as vozes masculina e feminina que não seguem os pedidos. A segunda sala é aberta por uma médica, que também está nela.
— Vista o colete.
— Vou tocar a senhora. Assim não será surpreendida com uma mão fria. — Sorrindo nesta frase.
Mariana é empurrada para o raio X.
— Inspire. Expire.
Espera-se nas mesmas cadeiras ou bancos que podem estar lado a lado. Recebe-se um envelope com o raio-x e se espera em cadeiras ou bancos que podem formar um “u” e estar lado a lado com um corredor no meio das outras cadeiras ou bancos que podem formar um “u”.
Na terceira sala, que podem ser duas, uma com um médico e a outra com uma médica, perguntam sobre doenças, família, gravidez, vacinas e remédios. Mariana e outros imigrantes terão que tomar algumas vacinas. Saem com a lista de onde as tomar gratuitamente. Talvez as tomem.
O homem a quem Mariana deu a convocação lhe dá o comprovante que terá que guardar e aquele que deverá mostrar para receber sua carte de séjour.

Na primeira à direita de volta ao metrô viu que era outono. Fotografou.

“Nunca se deve pesar uma mulher vestida e sem jejum.”
Mariah achou ótimo.

“Quase nunca se deve pesar uma mulher vestida e sem jejum.”

Mais tarde, Mariana tinha se esquecido. Entrou na Le genre urbain. Gosta de ver os lançamentos. Entre 2666De l’imposture en littérature/De la impostura en literatura e Courir, Jerusalém. Folheou todos e de repente no capítulo XV (Europa 02), nas partes IV, V, VI e VIII:

“Exame médico
Os exames médicos são feitos em sítios públicos.
Estás sentado. De repente, tocam-te no ombro, e dizem: Exame médico. De imediato levantas-te, encostas-te à parede, e despes-te por completo.

A cada exame médico marcam uma cruz nas costas da mão. Há pessoas que já fizeram dezenas. E todas as pessoas sabem que as doenças surgem com os exames médicos.

Como são marcados nas costas das mãos alguns procuram rodar os braços para manterem as palmas viradas para cima. Mas com esse gesto denunciam-se. Provocam maior repulsa. Os outros afastam-se.

Instrumentos
Nunca te tocam. O contágio vem da extremidade dos aparelhos. Com os olhos nada distingues, mas os instrumentos parecem ter a extremidade coberta de um pó granuloso. Até sentires os aparelhos não tens medo. Depois sim.

Exame médico
Por vezes só assustam. Abrem uma fenda na pele e depois fecham-na. Arrumam os aparelhos. Dizem: nenhuma doença; e sorriem. Afastam-se, e tu começas a vestir-te.
Outras vezes é diferente. Fazem pequenos cortes. Tocam-te com os aparelhos. Tiram pequenas coisas do teu corpo, não interessa o quê; não magoam.

Doenças
Perseguem as doenças estranhas. Perseguem os doentes estranhos. Quem tem uma doença estranha deixa de ser doente, entra na categoria do criminoso.

Ter uma doença normal significa que se obedeceu e se foi exacto nas funções. Uma doença estranha revela uma falha: faltou-se à higiene ou à verdade.”

Auvergne

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Beber uma Eau de Source de Montagne d’Auvergne, ir no meio da rue de la Tour d’Auvergne e visitar Auvergne são ações coincidentes.
Na primeira, na segunda ou na terceira vez.

Escrito por Isabela Montello

15 Dezembro, 2008 em 8:02 pm

Meteorologia

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Como explicitaram aos lusófonos os espanhóis (e talvez outros), o frio da geladeira é mesmo de neve.
Neve que antes foi ar, ventou, choveu, nevou, choveu e derreteu.
Se não se for frost-free, é mais fácil, como animais, prever tsunamis.

Até o dilúvio.

Escrito por Isabela Montello

29 Novembro, 2008 em 9:56 pm

Personagem de Tsai Ming-Liang

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De repente um formigamento num único lugar espinhal,
talvez causado por um colchão de cabeça ou corpo,
e sua continuação,
tornam o estrangeiro num personagem
de Tsai Ming-Liang.

Escrito por Isabela Montello

8 Novembro, 2008 em 6:20 pm

Endereço

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2, rue du Soleil
75020

Escrito por Isabela Montello

9 Outubro, 2008 em 9:09 pm

Publicado em transgênero

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